{"id":9491,"date":"2026-08-25T22:15:53","date_gmt":"2026-08-25T22:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jarinternacional.org\/a-cidade-de-deus-a-obra-que-santo-agostinho-escreveu-para-um-mundo-que-desmoronava\/"},"modified":"2026-08-25T22:15:53","modified_gmt":"2026-08-25T22:15:53","slug":"a-cidade-de-deus-a-obra-que-santo-agostinho-escreveu-para-um-mundo-que-desmoronava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/a-cidade-de-deus-a-obra-que-santo-agostinho-escreveu-para-um-mundo-que-desmoronava\/","title":{"rendered":"A Cidade de Deus: a obra que Santo Agostinho escreveu para um mundo que desmoronava"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Encerramos \u201cAgosto com A de Agostinho\u201d com <em>A Cidade de Deus<\/em>, a obra em que o santo respondeu \u00e0 queda de Roma e explicou as duas cidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Era o ano de 410 quando Roma, a cidade que se acreditava eterna, foi saqueada pelos godos de Alarico. O impacto foi t\u00e3o grande que muitos pag\u00e3os apontaram um culpado: o cristianismo. Ao abandonar os antigos deuses, diziam, o Imp\u00e9rio havia perdido sua prote\u00e7\u00e3o. Agostinho, bispo de Hipona, n\u00e3o deixou a acusa\u00e7\u00e3o passar. Entre 412 e 426, escreveu uma resposta que se tornaria uma das obras mais influentes da hist\u00f3ria do Ocidente: <em>A Cidade de Deus<\/em> (<em>De Civitate Dei<\/em>).    <\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 um livro breve nem leve: s\u00e3o vinte e dois livros que combinam teologia, filosofia, hist\u00f3ria e pol\u00edtica. Mas seu cora\u00e7\u00e3o pode ser resumido numa intui\u00e7\u00e3o que segue nos interpelando 1.600 anos depois. <\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Uma resposta em dois tempos<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agostinho organiza a obra em dois grandes blocos. Nos primeiros dez livros, refuta a ideia de que os deuses pag\u00e3os fossem necess\u00e1rios, tanto para a prosperidade terrena quanto para a vida eterna. Roma n\u00e3o caiu por culpa dos crist\u00e3os, argumenta, mas porque nenhuma cidade humana est\u00e1 a salvo da fragilidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria.  <\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nos doze livros seguintes, ele apresenta o verdadeiro projeto da obra: contar a origem, o desenvolvimento hist\u00f3rico e o destino final de duas cidades que, desde o princ\u00edpio do mundo, convivem misturadas entre si.<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Duas cidades, dois amores<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A chave de toda a obra est\u00e1 numa frase que Agostinho deixa quase no final: existem duas cidades formadas por dois amores. A cidade terrena nasce do amor a si mesmo levado at\u00e9 o desprezo de Deus. A Cidade de Deus nasce do amor a Deus levado at\u00e9 o desprezo de si mesmo (<em><span style=\"text-decoration: line-through;\">civ. Dei<\/span> ciu.<\/em> 14.28).  <\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se trata de dois lugares geogr\u00e1ficos, nem de duas organiza\u00e7\u00f5es em confronto \u2014Agostinho \u00e9 claro ao dizer que ambas as cidades est\u00e3o entrela\u00e7adas em toda sociedade humana, em toda \u00e9poca, inclusive dentro de cada pessoa\u2014. Trata-se de duas dire\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do cora\u00e7\u00e3o: viver orientado para si mesmo ou viver orientado para Deus e, a partir da\u00ed, para os outros. <\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>O que significa, ent\u00e3o, ser \u201ccidad\u00e3o\u201d?<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqui Agostinho d\u00e1 uma virada que soava estranha para sua \u00e9poca. Para o mundo antigo, ser cidad\u00e3o era pertencer a uma ordem pol\u00edtica concreta: a <em>polis<\/em> grega, a Roma imperial. Agostinho universaliza a ideia: pertence-se \u00e0 Cidade de Deus n\u00e3o pelo lugar onde se nasce, mas para onde a vontade se dirige.  <\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso n\u00e3o o torna um pensador que despreza a pol\u00edtica, embora \u00e0s vezes ele tenha sido apresentado assim. Agostinho reconhece o valor da ordem p\u00fablica, defende que os crist\u00e3os devem cumprir seus deveres c\u00edvicos, obedecer a leis justas e servir ao bem comum; e at\u00e9 desenvolve ali as bases do que depois seria a teoria da guerra justa. O ponto dele n\u00e3o \u00e9 fugir do mundo, mas habit\u00e1-lo como peregrino: comprometido com a cidade terrena, sem confundir nela sua verdadeira p\u00e1tria.  <\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Uma obra que n\u00e3o parou de falar com a gente<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A Cidade de Deus<\/em> marcou a teologia pol\u00edtica durante toda a Idade M\u00e9dia, e sua sombra chega at\u00e9 os debates modernos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o, poder e sociedade. Mas, antes de um tratado de pol\u00edtica, \u00e9 um convite pessoal: perguntar em que depositamos nosso amor, porque \u2014segundo Agostinho\u2014 \u00e9 a\u00ed que se decide, no fundo, a que cidade pertencemos. <\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Neste agosto, ao celebrar a festa de Santo Agostinho, \u00e9 uma boa ocasi\u00e3o para voltar \u00e0quela pergunta que ele mesmo se fez antes de escrev\u00ea-la: n\u00e3o quanto possu\u00edmos ou onde vivemos, mas para onde caminha o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9484 size-full\" src=\"https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios.png\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios.png 1080w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-169x300.png 169w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-576x1024.png 576w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-768x1365.png 768w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-864x1536.png 864w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-370x658.png 370w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-924x1643.png 924w, https:\/\/jarinternacional.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciudad-de-Dios-410x729.png 410w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o saque de Roma, Santo Agostinho escreveu A Cidade de Deus: uma obra sobre duas cidades nascidas de dois amores e sobre a verdadeira p\u00e1tria do ser humano.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":9492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"footnotes":""},"categories":[267],"tags":[378,375,376,377,276,374,140,379],"class_list":["post-9491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agostocomadeagostinho","tag-alarico","tag-cidade-de-deus","tag-cidade-terrena","tag-obras-de-santo-agostinho","tag-pensamento-agostiniano","tag-queda-de-roma","tag-san-agustin","tag-teologia-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jarinternacional.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}